
Quando passamos várias horas sem comer, pode surgir uma pergunta simples:
de onde vem a glicose que continua circulando no sangue?
A resposta mostra uma das funções mais interessantes do metabolismo humano.
Mesmo sem receber alimentos naquele momento, o organismo precisa continuar fornecendo energia para tecidos que dependem dela.
Por isso, o corpo possui mecanismos para manter a glicose disponível entre as refeições.
O fígado possui papel central nesse processo.
A glicose simplesmente desaparece quando não comemos?
Não.
O organismo não depende exclusivamente da última refeição.
Entre as refeições e durante períodos de jejum, o fígado pode liberar glicose para ajudar a manter o nível necessário no sangue.
Essa glicose pode vir do armazenamento de glicogênio e, conforme o jejum se prolonga, de processos metabólicos capazes de produzir glicose a partir de outras substâncias.
O glicogênio funciona como uma reserva
Depois de uma refeição, parte da glicose pode ser armazenada na forma de glicogênio.
O fígado funciona como um importante reservatório.
Quando a pessoa fica algumas horas sem comer, o organismo pode utilizar parte dessa reserva.
Isso ajuda a evitar uma queda excessiva da glicose.
É um sistema de equilíbrio.
Então por que a glicose não fica sempre baixa durante o jejum?
Porque o organismo possui mecanismos hormonais de regulação.
Quando a glicose começa a cair, diferentes sinais fazem o corpo aumentar a disponibilidade de combustível.
O glucagon é um dos hormônios envolvidos nesse processo.
Ele ajuda a estimular o fígado a liberar glicose.
Outros hormônios também participam da manutenção da glicemia.
O cérebro depende da glicose?
O cérebro utiliza glicose como uma importante fonte de energia.
Durante períodos prolongados de jejum, o metabolismo também pode aumentar a utilização de corpos cetônicos como fonte energética.
Mas isso não significa que a glicose deixe de ser importante.
O organismo continua regulando cuidadosamente sua disponibilidade.
Jejum e diabetes são a mesma coisa?
Não.
O fato de uma pessoa ficar algumas horas sem comer não significa que ela tenha diabetes ou que esteja fazendo tratamento para diabetes.
O jejum faz parte da fisiologia normal.
Porém, pessoas que utilizam determinados medicamentos para reduzir a glicose precisam ter atenção especial.
O NIDDK alerta que continuar utilizando medicamentos que reduzem a glicemia enquanto se está em jejum pode aumentar o risco de hipoglicemia.
O que acontece com quem pratica jejum voluntariamente?
A resposta depende da pessoa, duração do jejum, medicamentos, condições de saúde e outros fatores.
Não existe uma regra universal.
Para algumas pessoas, períodos de jejum fazem parte de uma rotina alimentar.
Para outras, podem representar risco.
Especialmente em pessoas com diabetes que utilizam insulina ou medicamentos específicos, qualquer mudança importante no padrão alimentar deve ser discutida com a equipe de saúde.
Por que algumas pessoas acordam com glicose mais alta?

Durante a madrugada e ao amanhecer, hormônios podem sofrer alterações naturais.
Esses hormônios ajudam o organismo a se preparar para o período de atividade.
Em algumas pessoas com diabetes, isso pode contribuir para elevações da glicose pela manhã.
Esse fenômeno é conhecido como fenômeno do amanhecer.
É diferente de simplesmente dizer que “ficar sem comer aumenta a glicose”.
A fisiologia é mais complexa.
Jejum prolongado é sempre melhor?
Não.
Não existe fundamento para transformar jejum prolongado em uma regra universal para controlar a glicose.
O metabolismo precisa ser analisado dentro do contexto.
Além disso, uma pessoa pode ter objetivos completamente diferentes de outra.
A alimentação precisa considerar necessidades nutricionais, medicamentos, idade, atividade física e condições de saúde.
E quando o jejum provoca sintomas?
Tremor, suor frio, fraqueza, confusão, palpitação e tontura podem ser sinais de hipoglicemia em pessoas suscetíveis.
Quem apresenta esses sintomas deve avaliar a situação e seguir a orientação recebida de sua equipe de saúde.
Não é seguro assumir que todo sintoma durante o jejum é simplesmente “falta de costume”.
Conclusão
Ficar algumas horas sem comer não significa que o organismo fique sem glicose.
O corpo possui mecanismos sofisticados para manter energia disponível.
O fígado libera glicose armazenada e também pode produzir glicose quando necessário.
Hormônios como o glucagon participam dessa regulação.
Entretanto, pessoas que utilizam medicamentos capazes de reduzir a glicemia precisam ter atenção especial durante períodos de jejum, pois existe risco de hipoglicemia.
O jejum, portanto, não deve ser tratado como vilão ou solução universal.
Aviso de saúde: este artigo é educativo. Pessoas com diabetes, gestantes, idosos, pessoas que utilizam medicamentos ou que possuem condições de saúde específicas devem receber orientação profissional antes de realizar mudanças importantes no padrão alimentar.
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