
O organismo possui um sistema extraordinariamente sofisticado para controlar a quantidade de glicose circulando no sangue.
Duas substâncias têm papel central nessa regulação:
insulina e glucagon.
Enquanto a insulina ajuda a reduzir a glicose no sangue ao favorecer sua utilização e armazenamento, o glucagon atua principalmente quando a glicose está baixa, estimulando o fígado a disponibilizar glicose.
É como se o organismo tivesse dois mecanismos trabalhando em sentidos complementares.
Onde esses hormônios são produzidos?
Ambos estão relacionados ao pâncreas.
Dentro do pâncreas existem pequenas estruturas chamadas ilhotas pancreáticas.
Nelas existem diferentes tipos de células.
As células beta produzem insulina.
As células alfa produzem glucagon.
O NIDDK descreve justamente essa relação entre as células pancreáticas, insulina, glucagon e controle da glicose. INDDR
O que acontece depois de comer?
Depois de uma refeição, os nutrientes começam a ser absorvidos.
A glicose disponível no sangue aumenta.
O organismo precisa evitar que essa elevação permaneça excessiva.
Nesse momento, a insulina tem papel fundamental.
Ela ajuda a permitir que a glicose entre em células que podem utilizá-la como energia ou armazená-la.
E quando ficamos algumas horas sem comer?
A situação muda.
Se não estamos recebendo glicose constantemente pela alimentação, o organismo precisa manter energia disponível.
É aí que o glucagon se torna especialmente importante.
Ele sinaliza para o fígado que é necessário disponibilizar glicose.
O fígado pode liberar glicose armazenada e também produzir glicose por mecanismos metabólicos.
Insulina e glucagon trabalham juntos
Não devemos imaginar que um hormônio “manda” e o outro simplesmente faz o contrário.
O organismo precisa de uma coordenação extremamente precisa.
Depois de uma refeição, a insulina aumenta e o glucagon tende a diminuir.
Durante períodos de jejum, a situação se modifica.
O NIDDK descreve essa relação como um sistema de regulação coordenada da glicose. INDDR
O que acontece no diabetes?
No diabetes tipo 1, o organismo perde a capacidade de produzir quantidade adequada de insulina porque as células beta são destruídas.
No diabetes tipo 2, existe uma combinação de fatores, incluindo resistência à insulina e, com o tempo, alterações na capacidade de produzir insulina adequadamente.
O NIDDK explica que diabetes ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente, não produz insulina ou não consegue utilizá-la adequadamente. INDDR
E o glucagon pode participar da glicose alta?
Sim.
Em pessoas com diabetes, a regulação do glucagon pode ficar alterada.
O NIDDK explica que, em algumas pessoas com diabetes, níveis de glucagon podem permanecer mais elevados do que o necessário, contribuindo para produção excessiva de glicose pelo fígado. INDDR
Isso ajuda a entender por que a glicose não depende apenas da quantidade de açúcar consumida.
O fígado produz glicose mesmo quando não comemos?
Sim.
Essa é uma das grandes curiosidades do metabolismo.
O fígado não funciona apenas como um depósito.
Ele participa ativamente da manutenção da glicose no sangue.
Durante o jejum, ele pode liberar glicose armazenada e produzir glicose conforme a necessidade.
Por que esse sistema é tão importante?
Imagine que a glicose caísse continuamente sempre que alguém passasse algumas horas sem comer.
Isso seria incompatível com o funcionamento normal do organismo.
O sistema formado por insulina, glucagon, fígado e outros hormônios existe justamente para evitar oscilações perigosas.
Conclusão
Insulina e glucagon são dois dos principais participantes da regulação da glicose.
A insulina ajuda o organismo a utilizar e armazenar glicose quando existe disponibilidade.
O glucagon ajuda a disponibilizar glicose quando o organismo precisa dela.
Esse equilíbrio ocorre continuamente, inclusive durante o sono e entre as refeições.
Conhecer esse mecanismo ajuda a entender por que a glicose é resultado de uma complexa interação entre alimentação, fígado, pâncreas, hormônios, atividade física e outros fatores.
Aviso de saúde: conteúdo educativo e não substitui avaliação médica.
Fonte: NIDDK/NIH.
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