
Muitas pessoas acreditam que só precisam procurar um oftalmologista quando começam a enxergar embaçado, sentem dificuldade para ler ou percebem alguma mudança na visão. Entretanto, algumas alterações oculares podem se desenvolver silenciosamente, sem provocar sintomas perceptíveis no início.
Esse é um dos motivos pelos quais o exame oftalmológico periódico tem tanta importância para quem vive com diabetes.
A glicose elevada durante períodos prolongados pode danificar pequenos vasos sanguíneos presentes na retina, uma estrutura localizada na parte posterior do olho. Esse problema é conhecido como retinopatia diabética.
O aspecto mais preocupante é que a doença pode avançar antes de a pessoa perceber que existe algo errado. A American Diabetes Association destaca que o exame abrangente dos olhos e a identificação precoce das alterações ajudam a reduzir o risco de perda visual grave.
O que é a retina e por que ela é importante?
A retina é um tecido sensível à luz que reveste a parte interna posterior do olho. Ela recebe a luz que entra pela pupila e transforma essa informação em sinais que são enviados ao cérebro pelo nervo óptico.
É graças a esse processo que conseguimos reconhecer rostos, distinguir objetos, ler e perceber detalhes do ambiente.
Para funcionar adequadamente, a retina depende de uma rede de vasos sanguíneos que fornece oxigênio e nutrientes.
Quando esses vasos sofrem danos, podem ocorrer vazamentos de líquido, pequenos sangramentos e outras alterações. Em fases mais avançadas, o organismo pode formar vasos sanguíneos anormais, que são frágeis e podem sangrar.
Essas mudanças podem comprometer a visão se não forem identificadas e tratadas adequadamente.
Como o diabetes pode afetar os olhos?
O diabetes não afeta somente a quantidade de glicose que circula no sangue. Quando a glicemia permanece elevada durante muito tempo, diferentes tecidos podem sofrer consequências.
Os pequenos vasos sanguíneos da retina são particularmente vulneráveis.
Com a progressão da retinopatia diabética, podem surgir alterações como:
- pequenos aneurismas nos vasos da retina;
- vazamento de líquido;
- hemorragias;
- alterações na circulação local;
- formação de vasos sanguíneos anormais;
- comprometimento da região central responsável pelos detalhes da visão.
A gravidade depende do tipo e do estágio da alteração. Nem toda pessoa com diabetes desenvolverá retinopatia, mas todas precisam conhecer a importância do acompanhamento ocular.
Por que a pessoa pode enxergar normalmente mesmo com alterações?
A capacidade de enxergar depende de diferentes estruturas oculares. Uma alteração localizada na retina nem sempre provoca perda visual imediata.
Em fases iniciais, a pessoa pode continuar lendo, dirigindo e realizando suas atividades normalmente.
Isso cria uma falsa sensação de segurança.
Esperar o aparecimento de sintomas para realizar o exame pode significar perder a oportunidade de identificar o problema em uma fase mais favorável ao tratamento.
É justamente por isso que o acompanhamento preventivo não deve depender exclusivamente da percepção do paciente.
Como funciona o exame de fundo de olho?
O exame permite ao profissional observar estruturas internas do olho, incluindo a retina e seus vasos sanguíneos.
Dependendo da técnica utilizada, podem ser aplicados colírios para dilatar as pupilas. A dilatação facilita a visualização da retina e de outras estruturas.
Em determinados serviços, também podem ser utilizadas fotografias da retina, conhecidas como retinografia, para documentar alterações e facilitar o acompanhamento.
O procedimento escolhido depende da avaliação clínica, dos recursos disponíveis e da situação individual.
É importante compreender que uma fotografia isolada não substitui automaticamente todas as etapas de uma avaliação oftalmológica completa.
Qual é a diferença entre exame de fundo de olho e exame de vista?
O exame de vista costuma ser associado à avaliação da capacidade de enxergar letras, identificar graus de óculos e investigar problemas de refração.
Já a avaliação da retina procura identificar alterações nas estruturas internas do olho.
São objetivos diferentes, embora possam fazer parte da mesma consulta.
Uma pessoa pode enxergar bem e ainda apresentar alterações na retina. Da mesma forma, uma pessoa pode precisar de óculos sem apresentar retinopatia diabética.
Por isso, informar ao oftalmologista que tem diabetes é importante mesmo quando a principal queixa é apenas dificuldade para enxergar de longe ou de perto.
Com que frequência o exame deve ser realizado?

A periodicidade depende do tipo de diabetes, do tempo desde o diagnóstico, dos resultados dos exames anteriores, da presença de complicações e das recomendações do profissional responsável.
Em muitas situações, a avaliação é anual, mas alguns pacientes podem precisar de acompanhamento mais frequente.
Em outros casos, após avaliações normais e considerando critérios clínicos específicos, o profissional pode recomendar um intervalo diferente.
Não existe uma frequência única adequada para todas as pessoas.
Quem recebeu diagnóstico recente de diabetes deve perguntar à equipe de saúde quando precisa realizar a primeira avaliação ocular.
O controle da glicose protege a visão?
Manter a glicose dentro das metas individualizadas é uma parte importante da redução do risco de complicações relacionadas ao diabetes.
A pressão arterial e os níveis de colesterol também merecem atenção, assim como o uso correto dos medicamentos prescritos e o acompanhamento regular.
Entretanto, controlar a glicose não elimina completamente a possibilidade de desenvolver alterações oculares.
Por isso, prevenção metabólica e exames oftalmológicos devem caminhar juntos.
Quais sinais exigem atenção imediata?
Embora o exame de rotina seja importante, determinados sintomas não devem esperar pela próxima consulta programada.
Procure atendimento oftalmológico urgente se ocorrerem manifestações como:
- perda súbita da visão;
- aparecimento repentino de muitos pontos ou manchas flutuantes;
- flashes luminosos novos;
- sensação de uma cortina escura cobrindo parte da visão;
- alteração visual súbita e importante.
Esses sinais podem ter diferentes causas e precisam ser avaliados rapidamente.
Conclusão
O exame de fundo de olho é uma ferramenta importante para identificar alterações oculares que podem estar relacionadas ao diabetes.
Sua principal vantagem é permitir que determinados problemas sejam reconhecidos antes de provocarem sintomas perceptíveis.
Não é necessário esperar a visão piorar para cuidar da retina.
Acompanhamento oftalmológico, controle individualizado da glicose, atenção à pressão arterial e adesão ao tratamento formam uma estratégia de cuidado mais completa.
Aviso de saúde: este conteúdo é educativo e não substitui avaliação oftalmológica. A frequência dos exames deve ser definida conforme o histórico e as necessidades individuais.
Fontes de referência: American Diabetes Association — Saúde dos olhos e diabetes; Doenças oculares relacionadas ao diabetes.
Veja Também:
- Sedentarismo aumenta o risco de glicose alta?https://saudecomglicose.com.br/por-que-o-sedentarismo-aumenta-o-risco-de-glicose-alta-entenda-o-que-acontece-no-organismo/
- A diferença entre glicemia e hemoglobina?https://saudecomglicose.com.br/qual-a-diferenca-entre-glicemia-e-hemoglobina-glicada-entenda-o-que-cada-exame-avalia/