
Existem diferentes exames utilizados para investigar alterações da glicose. Entre eles está o teste oral de tolerância à glicose, conhecido pela sigla TOTG ou OGTT.
Esse exame pode ajudar a identificar situações em que o organismo apresenta dificuldade para lidar adequadamente com uma determinada quantidade de glicose.
Ele é diferente da glicemia em jejum e também não deve ser confundido com a hemoglobina glicada.
Cada exame oferece uma informação diferente.
O teste oral de tolerância à glicose é utilizado para identificar pré-diabetes, diabetes e, em determinadas situações, diabetes gestacional. O NIDDK descreve o exame como uma das ferramentas utilizadas para detectar essas alterações.
Como funciona?
De maneira geral, o exame começa com uma coleta de sangue após um período de jejum.
Depois disso, a pessoa ingere uma solução contendo uma quantidade padronizada de glicose.
Posteriormente, é realizada outra coleta para verificar como o organismo respondeu àquela carga de glicose.
Em adultos não grávidos, o valor de duas horas após a ingestão da solução é um dos parâmetros utilizados na interpretação do teste.
O protocolo pode variar conforme a finalidade do exame e a situação clínica.
Por que não basta fazer glicemia em jejum?
A glicemia em jejum mede a concentração de glicose no sangue naquele momento, depois de um período sem alimentação.
Já o teste de tolerância observa como o organismo responde depois de receber uma quantidade conhecida de glicose.
Essa diferença pode ser importante.
Em algumas pessoas, a glicemia de jejum pode estar dentro de determinada faixa enquanto a resposta após a ingestão de glicose apresenta alteração.
Por isso, os exames não são simplesmente substitutos perfeitos uns dos outros.
O NIDDK explica que diferentes testes podem identificar pessoas diferentes e que nem sempre todos apresentam exatamente o mesmo resultado.
Quais são os valores?
Para pessoas que não estão grávidas, os valores de referência usados para diagnóstico podem ser apresentados da seguinte maneira:
- abaixo de 140 mg/dL após duas horas: considerado normal;
- entre 140 e 199 mg/dL: faixa compatível com pré-diabetes;
- 200 mg/dL ou mais: faixa compatível com diabetes.
Esses valores fazem parte dos critérios apresentados pelo NIDDK.
Entretanto, um resultado isolado não deve ser interpretado fora do contexto clínico.
Quando um resultado está na faixa de diabetes, geralmente é necessária confirmação conforme os critérios médicos.
O exame precisa de jejum?
Sim, em geral o teste oral de tolerância à glicose para avaliação de diabetes exige jejum prévio.
O NIDDK informa que, para o procedimento, a pessoa costuma permanecer em jejum por pelo menos oito horas antes da coleta inicial.
Durante o jejum, normalmente é permitido consumir água, conforme a orientação do laboratório.
Mas é importante seguir exatamente as instruções recebidas.
Não se deve alterar o preparo por conta própria.
Posso fazer exercício antes?
A preparação deve seguir as orientações fornecidas pelo laboratório ou profissional responsável.
Exercícios intensos, alterações importantes na alimentação ou outras mudanças na rotina podem interferir em determinados exames.
Por isso, o mais seguro é não tentar “melhorar” o resultado antes do teste.
O objetivo do exame é justamente avaliar como o organismo está funcionando em condições padronizadas.
O exame pode ser desconfortável?
Algumas pessoas acham a solução de glicose muito doce.
Também pode ocorrer mal-estar durante o período do teste.
É importante permanecer no local indicado pelo laboratório e seguir as orientações da equipe.
Como são realizadas coletas em horários determinados, não é recomendável abandonar o procedimento no meio sem conversar com o profissional responsável.
O teste também é usado na gravidez?
Sim.
O teste oral de tolerância à glicose possui papel importante na investigação do diabetes gestacional.
O NIDDK informa que o rastreamento costuma ocorrer entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, embora pessoas com maior risco possam ser avaliadas antes.
Na gravidez, os protocolos e valores utilizados podem ser diferentes daqueles aplicados a adultos não grávidos.
Por isso, os resultados devem ser interpretados de acordo com o protocolo específico.
TOTG é igual à hemoglobina glicada?
Não.
A hemoglobina glicada, ou HbA1c, fornece uma estimativa da exposição média à glicose ao longo de aproximadamente três meses.
O TOTG, por outro lado, observa a resposta da glicose após uma carga específica.
O NIDDK explica que a HbA1c fornece uma visão média da glicemia dos últimos meses, enquanto a glicemia em jejum representa uma medida pontual.
Cada exame responde a uma pergunta diferente.
Um exame alterado significa diabetes?
Não necessariamente.
O diagnóstico depende dos critérios utilizados, do tipo de exame, dos sintomas e da confirmação quando indicada.
O NIDDK destaca que, em geral, resultados compatíveis com diabetes precisam ser confirmados por um segundo teste quando não há uma situação clínica que permita diagnóstico imediato.
Por isso, nunca é recomendável olhar apenas para um número e tirar conclusões sozinho.
Por que conhecer esse exame é importante?
Entender os exames ajuda a pessoa a participar melhor do próprio cuidado.
Em vez de pensar que existe apenas um “exame da glicose”, fica mais fácil compreender que existem diferentes maneiras de avaliar o metabolismo da glicose.
Glicemia de jejum, hemoglobina glicada, teste oral de tolerância e glicemia casual possuem aplicações diferentes.
A escolha depende da situação.
Conclusão
O teste oral de tolerância à glicose é uma ferramenta importante para investigar alterações no metabolismo da glicose.
Ele permite observar como o organismo reage depois de receber uma quantidade padronizada de glicose e pode ajudar na identificação de pré-diabetes, diabetes e diabetes gestacional.
Entretanto, o exame precisa ser realizado e interpretado corretamente.
Um resultado alterado não deve ser usado para diagnóstico por conta própria.
Se um profissional solicitou o TOTG, siga cuidadosamente as instruções do laboratório e leve o resultado para avaliação.
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